Tabagismo eletrônico (vape): riscos reais para os pulmões
O uso de cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, tem aumentado entre jovens e adultos. Muitos acreditam que eles são uma alternativa “mais leve” ao cigarro tradicional, mas as evidências científicas mostram que o tabagismo eletrônico também traz danos importantes aos pulmões — alguns imediatos, outros silenciosos e progressivos.
O que é o vape e como ele funciona
O cigarro eletrônico é um dispositivo que aquece um líquido — e-liquid — para gerar um aerossol inalado pelo usuário. Esse líquido geralmente contém:
- Nicotina
- Aromatizantes
- Propilenoglicol e glicerol
- Metais pesados (liberados durante o aquecimento)
- Compostos orgânicos voláteis
Embora não haja combustão, o aerossol produzido contém diversas toxinas capazes de irritar e inflamar os pulmões.
Por que o vape faz mal aos pulmões
- Inflamação das vias aéreas
O vapor quente e as substâncias químicas podem causar:
- broncoespasmo
- irritação da mucosa respiratória
- aumento de tosse e chiado
Estudos mostram que usuários de vape apresentam marcadores inflamatórios pulmonares semelhantes aos fumantes de cigarro.
- Risco de EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos)
Identificada inicialmente nos EUA em 2019, a EVALI causa sintomas graves:
- falta de ar intensa
- dor no peito
- febre
- infiltrado pulmonar agudo no raio-x
O principal agente relacionado é o acetato de vitamina E, encontrado em alguns líquidos de vape. A condição pode levar à insuficiência respiratória e, em casos graves, ao óbito.
- Deposição de partículas tóxicas nos pulmões
O aerossol contém metais pesados, como níquel, estanho e chumbo, liberados da resistência interna do dispositivo. Essas partículas penetram profundamente nos alvéolos, causando:
- estresse oxidativo
- inflamação crônica
- danos progressivos às células pulmonares
- Nicotina e dependência: impacto indireto nos pulmões
Mesmo sem combustão, a nicotina:
- prejudica o tecido pulmonar
- reduz a capacidade de reparo celular
- aumenta a predisposição a infecções respiratórias
Além disso, favorece a transição para o cigarro tradicional, aumentando ainda mais os riscos.
- Danos ainda pouco conhecidos
O vape é um produto relativamente recente. Assim, não se conhecem completamente seus efeitos a longo prazo, mas os dados já apontam associação com:
- agravamento de asma
- piora de DPOC
- aumento do risco cardiovascular (que se relaciona à função pulmonar)
A tendência é que muitos prejuízos se tornem mais evidentes ao longo dos próximos anos.
Vape e jovens: por que o risco é maior
A adolescência é um período crítico para o desenvolvimento pulmonar. O uso de vape em jovens está associado a:
- maior risco de dependência de nicotina
- alterações no desenvolvimento pulmonar
- maior vulnerabilidade a quadros de infecção
- aumento da chance de migrar para o cigarro comum
A enorme variedade de sabores torna o dispositivo especialmente atrativo e perigoso para esse público.
É possível usar vape para parar de fumar?
Embora seja vendido como estratégia para cessação, não é considerado seguro para esse fim. Existem métodos comprovados, como:
- terapia de reposição de nicotina (adesivo, pastilha, chiclete)
- medicamentos (vareniclina, bupropiona)
- acompanhamento médico e psicológico especializado
O vape não é recomendado por Sociedades médicas brasileiras devido aos riscos pulmonares e cardiovasculares.
Conclusão: o vape não é uma alternativa segura
O tabagismo eletrônico causa danos reais aos pulmões, incluindo inflamação, exposição a metais pesados, risco de EVALI e prejuízos potenciais ainda não totalmente conhecidos.
Apesar da aparência moderna e dos sabores atrativos, o vape não é isento de risco, especialmente para jovens.
Proteger a saúde respiratória significa evitar tanto o cigarro tradicional quanto o cigarro eletrônico.
Se você deseja parar de fumar, converse com um médico pneumologista para receber orientação segura, personalizada e baseada em evidências.
10 de Dezembro de 2025
